4:13 Dream

Eu li a resenha sobre o último disco lançado do The Cure no Dying Days por Fabricio Boppré e me sinto obrigada a colocar algumas partes aqui junto com alguns comentários meus, já que estou sempre acompanhando as resenhas dele por serem excelentes.

O mundo pode ser dividido entre as pessoas que acham que o Cure já deveria ter acabado, e aquelas que não. Dentro desse último grupo, identifico três sub-grupos:

* o primeiro é formado pelas pessoas para quem a existência prolongada ainda se justifica a cada álbum lançado, ainda que estes sejam escassos a partir da década de 90;
* o segundo é um grupo de quatro pessoas somente, os quatro que hoje formam a banda — ou, vá lá, mais uma dezena de pessoas relacionadas, os roadies, parentes, empresários, o cabelereiro do Robert Smith —, para quem a coisa continua compensando pois é tudo divertido, as viagens, os shows lotados, e, claro, o dinheiro;
* e há o terceiro grupo, que pensa que essa existência prolongada compensa pois assim mantêm-se viva a esperança de vê-los ao vivo.

Estou neste terceiro do grupo (e eu Camila, também com certeza). Por mim eles não precisavam mais empilhar discos desnecessários, que apenas fizessem turnês. Vendo as datas e locais dos próximos shows da banda, vejo que não tenho ainda uma perspectiva real de assistir ao Cure em ação, mas ainda haverá chance enquanto Robert Smith não decretar que, enfim, irá se aposentar dos palcos.

Pois qual seria exatamente o propósito de uma, digamos, Underneath The Stars? É a faixa de abertura de 4:13 Dream e remete bastante à Plainsong, a abertura de Disintegration, com sua introdução lenta e melódica, aquela melancolia outonal que é o protótipo do melhor Cure, na minha visão de fã da banda, e que está mais belamente executado justamente no Disintegration. Mas em Underneath The Stars é apenas uma fórmula, um resultado tal qual qualquer outro que Robert Smith poderia compor num dia de tédio. Aposto que se ele se sentar em sua escrivaninha e começar a escrever canções e compor melodias, uma atrás da outra, durante um dia inteiro, sairão umas 30 músicas similares. Provavelmente, umas dez serão mais legais do Underneath The Stars.

O disco começa assim com o pé esquerdo, mas, no conjunto da obra, até que tem seus momentos decentes. The Only One, por exemplo, lembra os melhores espasmos de pop alegre da banda, encontráveis em The Head on the Door e Wish. Claro, nada que chegue aos pés de uma Friday I’m In Love ou In Between Days, mas tem seu valor. The Real Snow White começa e me dá a impressão de ser uma sobra do disco anterior e suas tentativas mal-sucedidas de renovar a música do Cure, mas acaba surpreendentemente encontrando seu caminho e se redimindo em definitivo no refrão. Switch também se salva, com sua sonoridade que lembra algo da psicodelia urgente de The Top. E lá pro fim do disco tem-se uma ótima surpresa com Sleep When I’m Dead, uma música verdadeiramente legal. Li em algum lugar que trata-se de uma composição antiga, o que deve dizer alguma coisa.

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2 comentários em “4:13 Dream

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