What If

Faz muito tempo que eu não escrevo sobre futebol aqui. E também não tenho a pretensão de acreditar que vou escrever algo que agrade pela primeira vez meus leitores, já que meus posts sobre futebol não fazem muito sucesso entre eles. Aliás, esse texto não é sobre futebol. É sobre uma menina que aos 5 anos passou a assistir a jogos intermináveis de 90 minutos com o pai, mecânico. As primeiras lembranças que essa menina tem de imagens na televisão — além das novelas mexicanas — são mesmo pretas e brancas, e não por causa da imagem, e sim pela camisa do Corinthians, o time do pai.

Às vezes a gente não entende razões de afinidade. Aprendi essa lição desde cedo, observando minha relação com meu pai. Minhas maiores paixões sempre foram escrever e ler, coisas que ele, por sua vez, só fazia mesmo se fosse obrigado. Mesmo assim, sempre me dei melhor com ele do que com minha mãe. Por isso, desde pequena — antes até do que 5 anos — entendi que para passar tempo com o homem que sempre vou mais amar nessa vida, precisaria adaptar meus gostos e encontrar graça no que ele vê. Por sorte, nunca precisei me esforçar muito.

Pode soar brega, mas meu coração sempre bateu mais rápido ouvindo o barulho de torcida. Só quem já tem essa sensação vai entender e não me achar babaca, mas é verdade: sempre me senti mais viva gritando. Quando estou aborrecida, leio notícia do campeonato em questão, corro, escuto um jogo no rádio. Nada me acalma mais do que assistir um jogo. Consigo calar todos os pensamentos que estão me perturbando e me concentrar só no que está acontecendo ali.

Não basta dizer que “puxei isso do meu pai”. Gostar de bola e velocidade não é uma doença hereditária. Comecei a adquirir o gosto nas tardes que passei com ele, jogando baralho e falando de copa do mundo; e depois, nas apostas, ganhar um real pra adivinhar quem faria gol no jogo. No ano em que eu ia fazer 10 anos, pela primeira vez nós gritamos juntos: era o mundial, sim, aquele mundial que todo mundo diz que não é nosso. Mas é meu e do meu pai.

Como eu disse no início, não estou falando de futebol. Não quero entrar nas polêmicas já comuns de como esse mundial não deveria ser oficial. Não acho que valha a pena perder tempo com as mesmas discussões. O que importa não é o ’se’, é o que existiu. E o que existiu foi um fim de tarde brilhante, com emoções para brasileiros que, como o meu pai, passaram a torcer para um time da paixão nacional que é o futebol, um esporte coletivo e que pode ser jogado apenas com uma bola em um campinho ou fundo de quintal.

E hoje escrevo tudo isso para lembrar de um dos melhores momentos da minha vida. Não vou mentir para o texto ficar mais bonito — não lembro de todos os títulos do Corinthians, eu era muito nova na época. Mas quando assisto o meu time jogando novamente, e escuto ou leio, sinto uma nostalgia boa de quando como começou a admiração pelo time que até hoje — mesmo sem o cara que eu mais amo no mundo — é o meu preferido.

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