A tal da lei seca

Hoje em meu horário de almoço fui chamada de mesquinha e fui interlocutora da frase “são pessoas como você que tiram minha liberdade”.

Meu colega de trabalho acha que eu não tenho carro e por isso defendo a Lei Seca. Ele diz que a Lei Seca fere seu direito de ir e vir e não concorda quando eu digo que o fato dele dirigir embriagado fere o meu direito de ir e vir. Segundo meu colega, a minha forma de pensar é assim porque eu sou pedestre e isso me torna mesquinha, mas a forma dele pensar assim é porque ele quer dirigir e beber e tudo bem.

Um copo de cerveja não altera em nada a atividade do motorista realizar a direção, acredita meu amigo. Ora, em um copo de vinho para relaxar, que mal pode haver? Ele é um cidadão consciente e a tolerância zero é um absurdo. Então ele me perguntou se eu sabia a quantidade de álcool no corpo que leva a alteração dos sentidos, e disse que era 0,7mg. Atualmente o limite é 0,2mg (ou 0,3, não sei, mas o que equivale a um copo de cerveja) e ele discorda firmemente. Perguntei a ele porque o limite diminuiu, e meu próprio colega, o defensor dos motoristas de um choppinho, respondeu: “porque ninguém respeita”.

Chego a conclusão que realmente não dá para por a culpa somente no governo ou nos três poderes. Para a população, o Brasil não é um pais ruim por causa da corrupção, ou por causa dos impostos altos demais. O Brasil é ruim porque segue a lógica de que álcool altera a sobriedade do motorista, porque o Brasil acredita nas inúmeras pesquisas de efeito da bebida combinada com direção, nos inúmeros de acidentes envolvendo indivíduos embriagados e cria a Lei Seca. Porque o Brasil não quer liberar a maconha, porque o Brasil impõe limite de velocidade no trânsito, porque no Brasil existem faróis vermelhos. Quando o Brasil desiste de ser o país do oba-oba, ele é ruim.

Para algumas pessoas é mais fácil acreditar em conspiração. É mais fácil acreditar que as Detrans não se importam pela segurança, que querem só o dinheiro das multas, aumentar a verba, que o governo quer nos controlar. O problema é que essas mesmas pessoas não se lembram que elas são os indivíduos para os quais as multas foram criadas. Essas mesmas pessoas são os indivíduos para os quais é necessário criar a Lei Seca, porque elas não deixam de beber para dirigir porque se importam com os outros, elas só param de beber e dirigir quando o bolso delas é afetado. Não é arrecadação de verba, é atingir onde dói para obter resultado.

Ainda segundo o meu colega, eu devo beber um copo de cerveja e ficar “bem louca” e por isso penso assim. Meu colega de trabalho não entende que eu pensaria da mesma forma com ou sem carro, sendo fraca para bebida ou não, sendo uma pessoa ou um macaco, ou até uma geladeira. Ele não entende firmeza de opinião. Ele diz que cada pessoa é diferente e o álcool age diferente de acordo com o peso, sexo e inúmeras variáveis. E eu agradeço esse argumento. Se de fato é impossível determinar um limite de álcool seguro no corpo, não há certificação de segurança na direção para com os demais no trânsito, a não ser, tolerância zero.

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3 comentários em “A tal da lei seca

  1. Mas você é bem fraca mesmo para bebida… Mimimi pô, só é valor seguir alguma lei quando a pessoa é o alvo!

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