A lack of color

Eu não queria uma máquina que me fizesse esquecer de você. Eu não queria apagar as nossas boas lembranças. Queria lembrar mais frequentemente das ruins.

Depois de um ano desejando o impossível, ele começou a se concretizar. Primeiro esqueci seus telefones. Agora pouco tentei lembrar que dia e o que estávamos fazendo quando você disse uma das coisas que mais gostei de ouvir.

“Fica mais fácil lidar com as pessoas se imaginarmos que elas são crianças” ou algo assim. Eu provavelmente estava no meio de uma das minhas muitas reclamações sobre pessoas e você estava tentando me acalmar. Foi um ótimo conselho e eu o uso até hoje.

Hoje em dia eu consigo me lembrar das nossas tardes inteiras fazendo coisas aleatórias, falando de coisas aleatórias, mas não consigo mais descrever nossos dias, não consigo mais dizer o que me fazia querer passar todo o meu tempo livre com você. Eu lembro dessas tardes como se fossem cenas que eu assisti de longe, como observadora. Posso ver as mesas dos lugares que costumávamos ir, posso lembrar dos dias frios em que eu usava suas blusas. Lembro de situações incompletas quando esbarro com alguma dedicatória em algum livro, ou algum presente que ganhei em alguma data da qual não lembro mais.

Não lembro mais do que dizíamos. Não lembro mais de conversas isoladas, como lembrava. Lembro de te falar sobre músicas e filmes, os que eu queria que você conhecesse, e de escutar sobre os que você não acreditava que eu ainda não conhecia. Mas não lembro mais quais eram os títulos.

E isso me acalma. Sinto sua falta, sim. Mas você não é mais você, você não existe mais.

And when I see you, I really see you upside down. But my brain knows better, it picks you up and turns you around.

This is fact, not fiction,
for the first time in years.

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I’m tired

I’m tired of trying again knowing that it always gets to the point where you have to try it again. I’m tired of be concerned about things that will always be meaningless in the future. I’m tired of trying to understand. I’m tired of pulling ourselves back together again in my head, of trying to make any sense of our picture. I’m tired of investing in undefined relationships, tired of grey areas. I’m tired of feeling uninspired to try again. I’m tired of the games we play, I’m tired of seeing my guards going up. I’m tired of words not shared, words that create a larger space between us and what we could have been each time they are not said.

I want more, but I’m too tired to ask for it. I’m tired of offering myself, when all you want is to walk alone.

“I’m tired of Earth. These people. I’m tired of being caught in the tangle of their lives.”

El otro, el mismo

(…)

I offer you whatever insight my books may hold, whatever
manliness or humour my life.
I offer you the loyalty of a man who has never been loyal.
I offer you that kernel of myself that I have saved, somehow
–the central heart that deals not in words, traffics not with
dreams, and is untouched by time, by joy, by adversities.
I offer you the memory of a yellow rose seen at sunset, years
before you were born.

I offer you explanations of yourself, theories about yourself, aut-
hentic and surprising news of yourself.
I can give you my loneliness, my darkness, the hunger of my
heart; I am trying to bribe you with uncertainty, with dan-
ger, with defeat.

1934