A train talk

Stranger 1 – “That’s why I left my home. I couldn’t be there, it made me think of her, and our kids, and her kids – they were like my kids”.

[…]

Stranger 2 – “I love her more than this girl I’m with now – though I love her too – but I would never go back to her”.

Dont you get it? I need to love you, and not have you, in order to love you forever.

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É só o meu aniversário

Se tem uma coisa que eu odeio sobre aniversários, é essa mania de todo mundo pensar que é um dia alheio aos outros. É o dia em que as pessoas supervalorizam se você lembrou delas ou não, no caso de ser aniversário delas; é o dia em que as pessoas que não falam com você há um ano (porque falaram no aniversário passado) resolvem que precisam falar com você.

E ai elas acham que não importa o resto do ano, importa que elas estão ali, agora, te desejando felicidades e o caralho a quatro. É o dia em que elas mandam uma foto de vocês juntos em 1954. É o dia que elas puxam conversa e fazem uma piada que fazia sentido há dois anos atrás. Acham que mandar parabéns diretamente para você, ao invés de mandar no grupo do whatsapp, faz uma puta diferença. Resolvem te mandar uma lista de coisas que aconteceram nesse tempo todo em que não se falaram, agora que elas têm tempo. Lembram de uma conversa que não tiveram com você e estavam ansiosos para ter. Resolvem que agora vão ter uma nova atitude com você, vão ser positivos, vão ser realistas, vão ser cruéis, vão ser altruístas, vão ser pessimistas, vão ser fatalistas, vão ter esperanças. E aí resolvem falar o que não devem.

E aí vêm os arrependimentos. De novo.

É o problema com tempo de sobra.

Nesse ano, lembre-se que é um dia como qualquer outro. É só o meu aniversário.

O poder da improbabilidade

No final das contas, é o imprevisível que faz o seu dia. Um e-mail inesperado. Dois e-mails inesperados. Um convite para um café de alguém que há meses só te diz “Oi, tudo bem?”. Uma ligação de madrugada. Você descobre que alguém que morava tão longe, agora mora na mesma cidade que você.

Não sei quanto a você, mas eu tenho mania de roteirista. Não sei se de cinema ou de seriado de TV, só sei que imagino minha vida como um grande script. Não no sentido de “Camila diz: Olá” – estou mais para scripts com longas descrições de sentimentos excruciantes com Sufjan Stevens de trilha sonora.

Mesmo que você não pense na sua vida como um roteiro já escrito, você deve estar acostumado a pensar que nada vai acontecer de diferente se sempre fizer as mesmas coisas. Acorde na mesma hora, tome banho, saia de casa para trabalhar, almoce no mesmo lugar. E aí você imagina que, no minuto em que quebrar essa rotina, algo de surpreendente acontece. Você conhece sua alma gêmea. A oportunidade financeira da sua vida.

Mas, não é assim. Se você quebrar uma rotina, algo surpreendente até pode acontecer, mas arrisco dizer que as as chances são muito menores. No final das contas, nem dá pra medir essas tais “chances” – não há como contar improbabilidades. É improvável e ponto final, mas vai ser em um dia como qualquer outro que os momentos de definição da sua vida vão acontecer. É em um dia como qualquer outro que fazemos algo pela primeira vez, e é em um dia como qualquer outro que fazemos algo pela última vez também, sem ao menos perceber.

Não estou dizendo para você largar tudo na mão do destino, esperar o acaso te dizer para que lado da rua atravessar. Só te digo uma coisa: acredite que você não pode controlar tudo nesse mundo.